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Fernando Girão - Poetas Esquecidos
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Fernando Girão - Poetas Esquecidos
POETAS ESQUECIDOS
Fernando Girão
Falo em nome dos escritores anônimos
Que escrevem em cadernos que jamais serão lidos
A história secreta da humanidade
Falo em nome dos pintores escondidos
Que pintam a natureza entre os muros das grandes cidades
Falo em nome dos cantores do silêncio
Com vozes que só se ouvem por dentro
No centro da essência da alma
Falo em nome dos que não fazem história
Dos que passam pela vida de uma forma invisível
Falo em nome dos poetas esquecidos
Que resumem a vida numa frase
Que sabem o que ninguem sabe
E em milhões de folhas baratas
Escrevem a história secreta da humanidade.
Poema e música de Fernando Girão
Em nome dos anónimos
Sempre me considerei uma escritora anónima, talvez por isso, neste poema de Fernando Girão, eu me tenha reencontrado.
Não sou a única que ao longo da vida escreveu diários, cadernos, até simples bilhetes de amor a algum coleguinha na escola, daqueles que atirávamos, em forma de aviões de papel, , sem a professora ver .
Assim desde tenra idade, já nós escrevíamos poemas de amor, e que voavam pelas salas de aula, com as asas dos nossos pensamentos.
Já éramos escritores anónimos nessa altura, mas, raras vezes tínhamos a coragem de assinar os tais “bilhetinhos”.
Quantos diários foram escritos, contando as fantasias do dia a dia?
Quantas vezes na adolescência, partilhamos com palavras e canetas, em cadernos mal tratados, os nossos desejos , os nossos amores e desamores ?
Tantos escritores anónimos que escreveram histórias secretas, que se perderam ao longo do tempo, enquanto crescíamos.
Quantas vezes sonhamos ser um novo Leonardo da Vinci, compramos tintas e pincéis, em busca de sermos originais, nos nossos loucos rabiscos !
Quantas vezes olhamos a Beleza de uma estação do ano que muda as cores das plantas e das arvores e quisemos guardar esse momento numa tela?
Alguns o fizeram, mas nunca tiveram a coragem de ir mais além…
Esquecidos numa individualidade colectiva, vivemos em isolamento, apesar de sermos “animais “sociais, perdemos o maior Dom que o Homem possui, o Dom da Comunicação Verbal e Escrita.
Impotentes, temendo pelo nosso futuro, pela extinção da nossa espécie, pela destruição da natureza e pela poluição, calados tudo sofremos ….
Em silêncio, como Fernando Girão diz e canta.
Creio que já nem cantamos no chuveiro, porque este tem que ser rápido, porque o Tempo urge para levar os filhos à escola, porque dormimos poucas horas e temos que andar como sardinhas enlatadas nos transportes públicos. Mais um dia de trabalho rotineiro, em que apenas uma percentagem mínima de nós, trabalha no que realmente gosta e se sente realizado.
Amordaçados, condicionados por créditos e mais créditos que têm que ser liquidados no final de cada mês…
Deixamos de ser pessoas, passamos a ser números num emprego qualquer. Somos invisíveis e dispensáveis.
Nascemos, vivemos o que podemos , e as nossas histórias morrem com a nossa “partida”.
MC/2008
Fernando Girão
Falo em nome dos escritores anônimos
Que escrevem em cadernos que jamais serão lidos
A história secreta da humanidade
Falo em nome dos pintores escondidos
Que pintam a natureza entre os muros das grandes cidades
Falo em nome dos cantores do silêncio
Com vozes que só se ouvem por dentro
No centro da essência da alma
Falo em nome dos que não fazem história
Dos que passam pela vida de uma forma invisível
Falo em nome dos poetas esquecidos
Que resumem a vida numa frase
Que sabem o que ninguem sabe
E em milhões de folhas baratas
Escrevem a história secreta da humanidade.
Poema e música de Fernando Girão
Em nome dos anónimos
Sempre me considerei uma escritora anónima, talvez por isso, neste poema de Fernando Girão, eu me tenha reencontrado.
Não sou a única que ao longo da vida escreveu diários, cadernos, até simples bilhetes de amor a algum coleguinha na escola, daqueles que atirávamos, em forma de aviões de papel, , sem a professora ver .
Assim desde tenra idade, já nós escrevíamos poemas de amor, e que voavam pelas salas de aula, com as asas dos nossos pensamentos.
Já éramos escritores anónimos nessa altura, mas, raras vezes tínhamos a coragem de assinar os tais “bilhetinhos”.
Quantos diários foram escritos, contando as fantasias do dia a dia?
Quantas vezes na adolescência, partilhamos com palavras e canetas, em cadernos mal tratados, os nossos desejos , os nossos amores e desamores ?
Tantos escritores anónimos que escreveram histórias secretas, que se perderam ao longo do tempo, enquanto crescíamos.
Quantas vezes sonhamos ser um novo Leonardo da Vinci, compramos tintas e pincéis, em busca de sermos originais, nos nossos loucos rabiscos !
Quantas vezes olhamos a Beleza de uma estação do ano que muda as cores das plantas e das arvores e quisemos guardar esse momento numa tela?
Alguns o fizeram, mas nunca tiveram a coragem de ir mais além…
Esquecidos numa individualidade colectiva, vivemos em isolamento, apesar de sermos “animais “sociais, perdemos o maior Dom que o Homem possui, o Dom da Comunicação Verbal e Escrita.
Impotentes, temendo pelo nosso futuro, pela extinção da nossa espécie, pela destruição da natureza e pela poluição, calados tudo sofremos ….
Em silêncio, como Fernando Girão diz e canta.
Creio que já nem cantamos no chuveiro, porque este tem que ser rápido, porque o Tempo urge para levar os filhos à escola, porque dormimos poucas horas e temos que andar como sardinhas enlatadas nos transportes públicos. Mais um dia de trabalho rotineiro, em que apenas uma percentagem mínima de nós, trabalha no que realmente gosta e se sente realizado.
Amordaçados, condicionados por créditos e mais créditos que têm que ser liquidados no final de cada mês…
Deixamos de ser pessoas, passamos a ser números num emprego qualquer. Somos invisíveis e dispensáveis.
Nascemos, vivemos o que podemos , e as nossas histórias morrem com a nossa “partida”.
MC/2008

MClara- Convidado
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