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| Visitantes |  PT |
| | | FERNANDO GIRÃO - "és para mim o mundo inteiro" | |
| | Autor | Mensagem |
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Jotace Membro V.I.P.


Sexo: Idade: 44 Pontos: 1980 Data de inscrição: 25/11/2008
 | Assunto: FERNANDO GIRÃO - "és para mim o mundo inteiro" Seg Jul 13, 2009 2:51 pm | |
|  ‘Papalagui’ é (ou era) o termo utilizado por uma tribo de indios dos mares do Sul para identificar o ‘homem branco’, supostamente civilizado. Foi popularizado num livro eterno, com o mesmo nome, onde são relatadas as considerações de um chefe tribal, feitas há séculos atrás, sobre a forma de estar na vida do homem branco em oposição á filosofia de vida que esse chefe conhecia e praticava, juntamente com a sua tribo, em plena comunhão com a natureza. A descrição inocente e pura, mas nua e crua, efectuada por este indígena, e que resulta do seu primeiro contacto com os povos ditos ‘civilizados’, acaba por expôr dolorosa e irónicamente a fragilidade e as contradições dos alicerces da civilização ocidental, ridicularizando-a, ridicularizando-nos, a todos, a nós que nela vivemos (ou ... sobrevivemos?). Sem qualquer conotação negativa, várias vezes substituo a imagem desse chefe indio, pela do Fernando Girão. Ele é, claramente, o chefe da tribo Tuiavii dos nossos tempos, a começar pelos seus traços fisicos que não escondem os seus genes, herdados de sua mãe a cantora Maria Girão, tal como ele, natural do Brasil (embora filho de pai português, o musico Fernando de Freitas, guitarrista, que trabalhou de perto com Amália Rodrigues), e terminando na clara desilusão e crescente inadaptação á sociedade em que vivemos, escravizada pelo dinheiro, pelo relógio e pelo Poder, a qual transparece de muitas das suas palavras, sejam letras de canções, prosas poéticas ou poemas. Ele é evidentemente um bom homem, nobre de sentimentos, puro de convicções, apaixonado pelo que de mais belo tem a vida, que canta o amor como se não houvesse mundo, mas que fala do mundo como se não houvesse amor. Um homem que se viu crescer e amadurecer numa sociedade que não compreende, e com a qual e pela qual sofre, cujas incongruências expõe de forma simultaneamente ingénua e acutilante, tal como o famoso chefe do livro 'Papalagui'. Girão é um talentoso musico, universal, plural, visceralmente multicultural na sua arte, talvez fruto de já o ser no seu próprio sangue. É também uma voz e uma presença impressionantes, que não deixam ninguem indiferente, da mesma forma que tambem não se fica indiferente á sua arte. Regra geral, ou se ama, ou se detesta o que ele sabe fazer na musica e com a musica. Mas ... indiferente, não. E mesmo quem gosta, acha dificil dizer que sim, sem ter necessidade de ser selectivo na sua opinião, porque é tal a miscelanea étnica de géneros e de estilos musicais que tem pautado o seu trabalho criativo, que fica dificil dizer que se gosta de tudo o que ele tem feito ao longo da sua carreira de cerca de 30 anos. Pode é dizer-se que, fruto do seu caminho paralelo (mas quase nunca coincidente) ao do mundo que conhecemos e em que vivemos nas ultimas décadas, Girão acaba por ser quase um desconhecido para a generalidade da população, e muito incompreendido por alguns que julgam que o conhecem, a si, ao seu talento, e ao seu peculiar modo de estar na vida. Esse desconhecimento e/ou incompreensão, associados a uma evidente falta de preparação dos ouvidos do publico nacional para a genialidade miscigenadora de Girão, levaram a que, ao longo dos anos, ele seja triste e ignorantemente parodiado pelos seus ‘ué-lé-lés’ vocais, como se tudo que ele fez se resuma apenas a aquilo que ouvidos menos atentos ou preparados entendem como ‘vocalizações tribais’. Girão começa a interessar-se por musica muito cedo, e até por volta dos seus 25 anos de idade, e meados da década de 70, circula entre Brasil, Portugal e Angola, onde vai absorvendo os diferentes ritmos e culturas musicais que vieram a marcar a sua carreira. Em Portugal, começou a gravar discos ainda na década de 70, mas eu pessoalmente só o descobri no inicio da de 80, com algumas canções do seu album “Contos da europa tropical”, que me vieram a marcar por serem tão diferentes de tudo o que se fazia por cá, então. Desde então até hoje, Girão tem 7 albuns gravados, polvilhados de musica de inspiração étnica, fado, blues, jazz, e tambem belissimas canções de amor. Pessoalmente tenho apenas 4 albuns dele (“Cantos da Alma”, “Dias de Amanhã”, “Outros fados”, e “Olhos nos olhos”), sendo que tenho um especial apreço pelo “Outros Fados” (1993), e pelo “Olhos nos Olhos”, (2000). No primeiro aconteceu uma muito feliz fusão entre o Fado e os ritmos afro e sul-americanos, com temas inesqueciveis como “A nossa vida é um fado”, “Nas flores pintei o teu nome”, “Eu só sei viver assim”, ou o soberbo “Mulher’. Já o album de 2000 (e ultimo que ele gravou sob o rótulo de ‘musica ligeira’), é um disco de elevadissima qualidade de principio a fim, onde brilham grandes temas com as mais variadas sonoridades, desde o Blues aos contagiantes ritmos latinos e africanos, passando pela Pop, e não deixando de ter ainda uma fabulosa canção de amor, “És para mim o mundo inteiro”. É, para mim, o mais completo e perfeito disco do Girão, e depois de o ter ouvido, mantenho-me já há 9 anos á espera de um dia poder ter o prazer de ouvir outro disco seu tão genial como este. Contudo, ao longo da sua carreira, ele tem escrito canções para, e colaborado com os mais variados artistas, nacionais e internacionais, dando assim uma visibilidade adicional ao seu talento criativo, e fazendo dele um musico do mundo, muito provávelmente mais considerado e acarinhado além-fronteiras do que por cá, neste triste e cinzento recanto mais e mais aculturado. Infelizmente, desde 2000 que o Fernando como que se ‘eclipsou’, e vim descobrir mais tarde que ele se tinha virado para umas experiências no mundo do Jazz, culminadas com a edição mais ou menos recente do album “Come and try my love”, bem mais virado para o mercado exterior do que para o nosso. Pudera... 'elas' não matam mas moem, e mesmo o mais obstinado acaba por se cansar de remar contra a corrente da ignorância, seja ela espontânea ou forçada. Foi com muito agrado que descobri recentemente um recém-criado fórum dedicado ao Fernando Girão e aos seus fãs (olá Maria!  ). Está pejado de prosa e poemas, escritos e musicados, da autoría do próprio, que demonstram claramente o que décadas de crescente divórcio da nossa realidade social, e de afastamento do actual modelo do ‘Ser lusitano’ provocaram no Girão. Sinto que a amargura no seu discurso se acentuou, e que parece estar a alastrar para a sua musica, e isso entristece-me porque não é esse o Girão que eu conheci musicalmente e não é esse com o qual me identifico. Gosto bem mais do outro, aquele que faz rodopiar na sua musica a alegria dos ritmos do mundo, aquele que deixa transbordar da voz uma ternura arrebatadora em cada canção de amor, aquele que é uma força da natureza em cada Blues. Procuro esse Girão. Quero tê-lo de volta. Será ainda possivel? Quero acreditar que sim, por mim enquanto fã, por nós enquanto povo, que tão mais pobres ficamos cada vez que deixamos cair mais uma árvore da nossa já tão diminuida floresta cultural. Precisamos de um Girão vivo! . |
|  | | FÂ Nº10 Convidado

 | Assunto: Arte é ARTE Dom Jul 19, 2009 2:24 am | |
| Ás vezes questiono se tudo já terá sido inventado a nível das Artes, se aquela Coreografia do Lago dos Cisnes poderá ter mais variantes, se aquela música poderá ser cantada de forma diferente, se a dissertação de um Tema, um Poema. Prosa, poderá não se tornar um dejá-vu de algo já feito, inventado anteriormente por Alguém! Muitas vezes eu própria fico com a sensação que nada do que possa vir a fazer, a escrever, não já foi feito antes por alguém noutra parte do Mundo, até porque somos todos Humanos e as minhas dúvidas são e serão sempre as dúvidas de mais seres humanos, noutra parte do Globo Terrestre. A Vida, a Riqueza de alguns “Artistas”, como o Fernando Girão, sem dúvida que me vai continuando a surpreender, pela criatividade, reinvenção, criação, quando eu julgo muitas vezes que mais nada me pode fazer parar para reflectir, eis que a Vida me troca as “voltas” e continua alguém a me “deixar com cara de espanto” quase diariamente. A Partir de certa idade, acho que quase todos pensam que mais nada nos irá “acordar os sentidos”, fica-se com a sensação de já ter visto, de já ter ouvido algo do género e tantas vezes isso me tem acontecido ao longo dos últimos anos, com outras pessoas, outros lugares. Tudo tão previsível… Na certeza porém que hoje tenho sérias dúvidas, já não afirmo com facilidade que eu já conheço isto, ou aquilo é igual a … Porque a vida me acabou de mostrar exactamente o contrário, que quem tem o Dom de Criar, reinventa até a própria História Musical, novas sonoridades, novos efeitos tecnológicos, novas palavras e acabo embrenhada em novas descobertas que me deslumbram, que me fazem “alimentar o Espírito” que tantas vezes anda carecido de Alimento. Agradecida pela dádiva do Alimento ao meu Espírito que me acrescenta e não diminui a minha Humanidade, transporto-me para a liberdade do pensamento através do trabalho do Fernando Girão, sinto-me uma célula em comunhão com o Mundo. Um Mundo Mágico onde nem as Palavras fazem falta, em perfeita Harmonia de sons e musicalidade e onde se torna por vezes difícil voltar à Realidade!Ás vezes questiono se tudo já terá sido inventado a nível das Artes, se aquela Coreografia do Lago dos Cisnes poderá ter mais variantes, se aquela música poderá ser cantada de forma diferente, se a dissertação de um Tema, um Poema. Prosa, poderá não se tornar um dejá-vu de algo já feito, inventado anteriormente por Alguém! Muitas vezes eu própria fico com a sensação que nada do que possa vir a fazer, a escrever, não já foi feito antes por alguém noutra parte do Mundo, até porque somos todos Humanos e as minhas dúvidas são e serão sempre as dúvidas de mais seres humanos, noutra parte do Globo Terrestre. A Vida, a Riqueza de alguns “Artistas”, como o Fernando Girão, sem dúvida que me vai continuando a surpreender, pela criatividade, reinvenção, criação, quando eu julgo muitas vezes que mais nada me pode fazer parar para reflectir, eis que a Vida me troca as “voltas” e continua alguém a me “deixar com cara de espanto” quase diariamente. A Partir de certa idade, acho que quase todos pensam que mais nada nos irá “acordar os sentidos”, fica-se com a sensação de já ter visto, de já ter ouvido algo do género e tantas vezes isso me tem acontecido ao longo dos últimos anos, com outras pessoas, outros lugares. Tudo tão previsível… Na certeza porém que hoje tenho sérias dúvidas, já não afirmo com facilidade que eu já conheço isto, ou aquilo é igual a … Porque a vida me acabou de mostrar exactamente o contrário, que quem tem o Dom de Criar, reinventa até a própria História Musical, novas sonoridades, novos efeitos tecnológicos, novas palavras e acabo embrenhada em novas descobertas que me deslumbram, que me fazem “alimentar o Espírito” que tantas vezes anda carecido de Alimento. Agradecida pela dádiva do Alimento ao meu Espírito que me acrescenta e não diminui a minha Humanidade, transporto-me para a liberdade do pensamento através do trabalho do Fernando Girão, sinto-me uma célula em comunhão com o Mundo. Um Mundo Mágico onde nem as Palavras fazem falta, em perfeita Harmonia de sons e musicalidade e onde se torna por vezes difícil voltar à Realidade! |
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