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Ser ou não cristão

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default Ser ou não cristão

Mensagem por Merlim em Ter Maio 19, 2009 9:52 pm

Uma Igreja feita de Homens e para Homens


As imposições da Igreja para se ser considerado cristão.

A minha experiência pessoal com a igreja acaba por ser negativa, devido ás imposições sociais que ela "obriga", sempre pensei que o conceito de igreja fosse mais abrangente, não são os fieis que fazem a Igreja? A minha experiência pessoal com a igreja acaba por ser negativa, devido ás imposições sociais que ela "obriga", sempre pensei que o conceito de igreja fosse mais abrangente, não são os fieis que fazem a Igreja? Igreja não é um mero local de culto e prática de ritos religiosos?

Rito do Baptismo, rito do casamento, rito da Morte, no fundo e na sua essência mais crua, a igreja e os seus ritos transformaram-se em serviços sociais ao serviço de uma comunidade, em que para se ser aceite na sociedade não se pode ser diferente ou demonstrar diferenças de usos , dai a importância de usufruir dos tais serviços que a comunidade religiosa proporciona e também a exclusão social , ostracismo de quem não os aceita, ou pratica no seu dia a dia.

A verdadeira questão acaba por ser, sou menos católico porque não adiro aos ritos semanais da dita Igreja?

E os tais ritos como o baptismo, comunhão, missa, profissão de fé, não acabaram por ser ao longo do tempo destituídos da verdadeira razão que é a adoração a um Deus que pode ter muitos nomes, mas é um só e apenas ser uma convenção social?

É preciso um Local físico especifico para se entrar em comunhão espiritual com a nossa Fé, bater no peito, intitular-se de Cristão praticante só porque vai á missa semanalmente?

Ao longo dos anos muitas dúvidas se foram levantando na minha pessoa, sobre a Igreja, até sobre Deus, hoje não penso muito sobre isso, limito-me no meu dia a dia a ser o melhor ser humano que cada 24 horas me permitem ser, tentando chegar ao fim do dia com sensações positivas de que cumpri os meus deveres como cidadão, como filho, como companheiro, como profissional e amigo.

Não preciso de me auto-afirmar adepto desta ou daquela religião, praticar ritos de origem cristã,ou de qualquer outra, para me sentir integrado numa sociedade ou fazer parte da Humanidade, possuo livre arbítrio e sei distinguir na minha vida com bom-senso o que é o Bem e o Mal, embora isso possa ser discutível, porque o que considero Bem, pode ter outra leitura e interpretação noutros seres humanos.

A tolerância perante quem sente necessidade de frequentar a instituição religiosa para obter um equilíbrio emocional, aceito que outros necessitem disso, nem mais que não seja para terem paz espiritual nos seus "demónios" interiores, muitas vezes os padres não são mais que mais uma versão de psiquiatras e psicólogos que actuam como orientadores, mas também são a razão de nós aceitarmos as "injustiças" da vida com resignação, na esperança de obtermos o tão prometido Paraíso, na vida além da morte.

É essa promessa de uma vida alem morte terrena no Paraíso que faz com os Homens aceitem as diferenças, entre ricos e pobres, o sofrimento, as privações e até as guerras, ou até a morte injusta e precoce de uma criança... Resignamo-nos a aceitar e pensamos. (ela) está num lugar melhor, esse é o verdadeiro papel da igreja, como religião, o impedir a revolta contra a descriminação social, a exploração e mais um conjunto de situações do dia a dia que não aceitaríamos de bom grado, se não fosse a promessa de Cristo que seremos recompensados pelo nosso sofrimento em vidas futuras.

Estas são reflexões que fui fazendo ao longo da minha vida e que até questiono a tal obrigação do rito de ir à missa para "ouvir" a palavra de Deus.

Á umas dezenas de anos entendia, era a única forma de se ter conhecimento das" Sagradas Escrituras", as pessoas eram analfabetas e a cultura encontrava-se fechada e só de acesso nos Mosteiros. Afinal só os padres, monges tinham acesso e aprendiam a ler e escrever, com a invenção da imprensa por Gutemberg, todos nós hoje temos acesso à informação no conforto do nosso Lar, podemos ler as " Sagradas Escrituras" e reflectir sobre a "dita Palavra de Deus". Não precisamos de ir à missa para conhecer os seus mandamentos ou Leis e a missa, apenas é um rito onde se celebra a Morte e ressurreição de Cristo que se faz em comunhão na Fé junto com pessoas que acreditam no mesmo.

Se fizer uma breve passagem pela Historia constato que vivemos no obscurantismo devido à sonegação de informação por parte de padres, ou seus Chefes eclesiásticos, que a Santa inquisição que condenou à fogueira milhares de pessoas, não passava de um jogo de interesses para se apropriarem de Bens e Terras de pessoas e que tinham muito pouco de defesa da Fé Cristã, e no fundo até aos dias de hoje pouco evoluiu em mentalidades , quando um padre de uma paroquia tenta impor aos membros da comunidade esta ou aquela regra para prestar um serviço social que ainda por cima é pago e bem pago , através de emolumentos, doações à igreja, tudo em prol de uma aceitação social, porque ser e agir diferente das convenções religiosas acarreta ostracismo e diferenciação de tratamento posterior no dia a dia.

Economicamente a religião é a desculpa para muitos actos contra a Humanidade, em nome da Fé cristã .

Questiono até que ponto o Cristianismo ou outras religiões não servem apenas para adquirir Poder, Bens. Território e atrofiar a vontade humana.

Questiono como em nome de Deus se apregoa, manifestações e penalizações sociais para quem se atreve a questionar os dogmas ou Leis que aparte ditam leis como o aborto assistido ser penalizado, salvar-se a criança e não a mãe em risco de vida durante uma gestação problemática, ou mais grave a missa ser objecto de influencia na decisão politica em tempo de eleições, com grandes intervenções no púlpito durante a missa. Esta não tem como finalidade celebrar entre cristãos a Morte e ressurreição de Cristo, base de toda a fé Cristã?

O que se observa no dia a dia é até o representante máximo da Igreja interferir na politica dos países e na sua governação, com visitas estratégicas e não se observa que todos os governantes procuram o apoio da Igreja nas suas demandas políticas?

Nomeadamente as viagens por outros Paises dos Papas sempre foram objecto de controvérsia, a dias encontrei um artigo sobre uma visita do papa Bento16 que vou transcrever:
…”Representante muçulmano causa polémica durante visita do Papa



O final do primeiro dia da visita do Papa à Terra Santa ficou marcado por um discurso inflamado de um representante muçulmano que, durante um encontro inter-religioso, pediu a Bento XVI que ajude a combater os crimes de Israel. Este episódio causou polémica, suscitando reacções do Governo de Israel e também do Vaticano, como conta o enviado especial da Antena 1, jornalista José Manuel Rosendo.

2009-05-11 21:15:23

Consultar http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=7&t=Representante-muculmano

Acaba por parecer que estas viagens Papais, não sã mais que demandas politicas e ---a pedido!

Igualmente nunca entendi bem o papel da Inquisição, mas historicamente hoje sabemos que não eram os bruxos ou não crentes que eram julgados e ardiam na fogueira bastava um vizinho cobiçar as terras de alguém e denuncia-lo à inquisição.. logo as terras cobiçadas passavam de dono num ápice,, massacres comparados aos efectuados por Hitler, no entanto referem-se à Inquisição e ao seu papel como:

Inquisição era um tribunal eclesiástico destinado a defender a fé católica: vigiava, perseguia e condenava aqueles que fossem suspeitos de praticar outras religiões. Exercia também uma severa vigilância sobre o comportamento moral dos fiéis e censurava toda a produção cultural bem como resistia fortemente a todas as inovações científicas. Na verdade, a Igreja receava que as ideias inovadoras conduzissem os crentes à dúvida religiosa e à contestação da autoridade do Papa.

As novas propostas filosóficas ou científicas eram, geralmente, olhadas com desconfiança pela Inquisição que submetia a um regime de censura prévia todas as obras a publicar, criando o Index, catálogo de livros cuja leitura era proibida aos católicos, sob pena de excomunhão.

As pessoas viviam amedrontadas e sabiam que podiam ser denunciadas a qualquer momento sem que houvesse necessariamente razão para isso. Quando alguém era denunciado, levavam-no preso e, muitas vezes, era torturado até confessar.

Defendendo a Igreja Católica as concepções geocêntricas, por as considerar mais de acordo com as Sagradas Escrituras, opôs-se totalmente à teoria heliocêntrica de Copérnico que Galileu defendeu, impondo-lhe silêncio sobre as suas opiniões.

Por isso, a publicação do livro Diálogo sobre os Dois Maiores Sistemas do Mundo custou a Galileu a instauração de um processo pela Inquisição na sequência do qual ele foi obrigado a negar as suas convicções.

Aqui e concretamente a Igreja sempre tentou calar a Ciência, e a prova disso é a atitude com Galileu Galilei

Vide…

http://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei

Alguns dos suspeitos chegavam a confessar-se culpados só para acabar com a tortura. No caso do acusado não se mostrar arrependido ou de ser reincidente, era condenado, em cerimónias chamadas autos-de-fé, a morrer na fogueira.

É aos dias de Hoje a igreja manifesta-se contra quase todos os avanços científicos, adoptando posições contra o aborto, a clonagem. A descoberta do DNA, não pretende que os homens evoluam até serem considerados Deuses, senão os padres ficavam no desemprego talvez.

Por todas essas razões deixei de ser um dito cristão praticante , desde que deixei de ter a obrigação e influencia familiar, mantenho-me a parte como membro activo, embora isso não demonstre se sou mais ou menos Religioso ou crente na doutrina Cristã, apenas vivo a minha religiosidade no dia a dia de forma diferente, não preciso de locais de culto para entrar em comunhão com Deus, por vezes basta-me entrar em recolhimento espiritual comigo próprio observando a natureza.

Se isso perante a igreja que é composta por pessoas de carne e osso como eu, com desígnios próprios e interesses pessoais e convicções mais ou menos exacerbadas defeitos e virtudes, me faz pessoa non grata, não é importante para mim e não acredito que na tal oferta do Paraíso após a morte terrena venha tão pouco a ser excluído por isso, isso é ter fé acima de tudo no Ser Humano.

Por estas razões acabei por questionar com o Baptismo do meu sobrinho e se ser Padrinho representa na sua essência que em caso de ausência dos pais caberá a mim substituir na sua educação e preparação para um futuro como ser humano, se eu ter faltado a umas sessões de esclarecimento cheias de normas muitas delas apenas baseadas em dogmas da fé crista, deu o direito a um padre de questionar se eu seria um bom substituto do pai na sua ausência na sua preparação para a vida, ao ponto de abusivamente se recusar a baptizar uma criança inocente na Fé de Cristo.

Não, apenas reforçou a minha opinião do abuso de poder e competências do cargo social que ocupa.

Igualmente a posição da igreja Crista perante os divórcios excluindo-os e marginalizando não é da minha aprovação. Será que aguentar casamentos onde as pessoas não são felizes, os filhos são vitimas de mau trato e de futuros traumas é uma solução mais aprazível aos olhos de Cristo?

Talvez não quando das Sagradas Escrituras do Velho Testamento era permitido um Homem repudiar a sua esposa, ou ter mais do que uma quando simplesmente não existia procriação.

A Actual igreja afastou-se por sua conveniência das verdadeiras escrituras que hoje todos podemos ler e interiorizar as suas lições, apenas porque sendo o a bíblia um livro de cariz histórico, as situações tendem a repetir-se ao longo dos séculos, mas são sempre as mesmas.

Vivemos hoje numa fé feita á conveniência de Homens comuns, que serve interesses económicos e sociais como se apenas mais uma empresa de serviços se tratasse.

Talvez seja oportuno relembrar o papel de Martinho Lutero

Vide : http://pt.wikipedia.org/wiki/Martinho_Lutero

Acabou com as “indulgências” em que se pagando não se ia para o “inferno” enquanto os cofres da Igreja se enchiam, Martinho Lutero estudava e lia e interpretava as Sagradas Escrituras, não à conveniência dos representantes da Igreja, mas sim na verdadeira Fé.

Desde ter sido quase excomungado, preso em exílio, até a sua morte, Martinho Lutero conseguiu que a igreja mudasse imenso, mas não o bastante porque certos valores como o paganismo económico até aos dias de hoje ainda faz parte, e acabamos todos por pagar os serviços que a igreja exige que se adquira para sermos aceites na comunidade social onde estamos inseridos.

A Avaliar pelas minhas reflexões aqui neste texto, acredito mais no Homem, nas suas criações, livre arbítrio e bom senso que num Hipotético Deus que deixa que milhões de crianças morram de fome ao minuto, que permite que os homens andem em luta por terra e poder e num planeta que em baixo é o Inferno e em cima o Tal de Paraíso cuja promessa nos subjuga a aceitar as desigualdades sociais , tais como cordeirinhos a caminho da morgue ou do pasto.

Merlim
Membro Efectivo
Membro Efectivo

Sexo: Masculino Idade: 21
Pontos: 1422
Data de inscrição: 21/11/2008

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default Re: Ser ou não cristão

Mensagem por MClara em Seg Mar 15, 2010 11:27 am

Reencontrei este tópico e achei oportuno fazer uma simples observação para despertar consciencias.
Que credibilidade pode ter uma religião como a Católica quando os seus alicerces são feitos com pecados mortais como a Pedofilia.
Que credibilidade pode ter uma religião quando condena práticas como o Aborto, o divórcio e não permite que os seus lideres espirituais casem?
Constituam família quando afirmam que a Família é a base e deve ser respeitada.
Tantos descrentes e não crentes e muito menos praticantes ao longo dos últimos anos a Igreja Católica tem construido.

MClara
Convidado


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