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S.João da Madeira - A Minha Cidade
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S.João da Madeira - A Minha Cidade
Perdida aqui em reflexões teço considerações sobre a minha cidade. Cidade de betão como gosto de lhe chamar, com poucos espaços verdes que me possam prender o olhar, enquanto deixo que a caneta preencha linhas em branco nos meus cadernos, ao sabor dos meus pensamentos e inquietudes.
Sempre atenta ao que me rodeia no dia a dia, acabei de dar conta de mais um cartaz publicitário numa loja cá da Avenida.
Descontos até 50%! Intrigou-me, dia 30 de Março será normal no comércio fazerem-se descontos?
Esta Avenida sempre me intrigou na sua complexidade comercial, mas a verdade é que é uma das avenidas mais movimentadas cá da terrinha.
Esta Avenida tem história, desde prédios que caíram depois de construídos, desde os antigos pântanos, desde, que o verde desapareceu para dar lugar ao betão, uma avenida que ás vezes muda de visual com alguns prédios recuperados e com lojas que fecham ao fim de 10 anos de actividade e deixam saudades pela qualidade que possuíram.
Outras deram lugares a mais uma Agência bancária e eu questiono tanto Banco para tão pouco cliente com dinheiro…
E.. descontos a 50% fora de época, será mais uma loja que vai fechar? Será a tal crise de que tanto falam?
Enfim, na minha cidade parece mesmo que só o betão cresce a olhos vistos, uma cidade tão pequenina, apenas com 7 Km quadrados e o meu olhar desliza e só vê… betão e letreiros -Vende-se.
Letreiros que devoram a paisagem, vende-se, descontos, saldos, preferia ver floreiras nos prédios, com cor a quebrar a monotonia do betão, afinal é Primavera, mas a moda é outra. A decoração predominante na minha cidade é Vende-se e eu preferia Verde, árvores e flores.
Esta é a minha cidade de betão que observo, já nem recordo sequer como era o antigo som das sirenes a chamar o povo ao trabalho, as chaminés das fábricas já não largam fumo, algumas até acomodam ninhos de cegonhas. Outras desmoronam orgulhosamente em memória de tempos passados em que havia trabalho para todos..Já nao se fazem chapéus e os sapatos esses vem da China.
Cidade do Labor, era assim apelidada, hoje talvez o nome esteja inapropriado, cidade do betão, sem flor, cidade do desemprego, do vende-se, do desconto e o povo está em saldo!
Tudo fora de época, restam as memorias da cidade que já foi, recordações dos que vão assistindo ao nascimento não de crianças, mas de betão, que assistem à morte das flores e do verde e a Humanidade essa, perdeu-se no som do sino da nossa igreja matriz centenária que hoje já nem se consegue fazer ouvir no seu repicar dos sinos a chamar o Povo à missa.
Porque o Povo do Labor, esse também, já se transformou em betão!
Maria Clara - 30.03.2009
Sempre atenta ao que me rodeia no dia a dia, acabei de dar conta de mais um cartaz publicitário numa loja cá da Avenida.
Descontos até 50%! Intrigou-me, dia 30 de Março será normal no comércio fazerem-se descontos?
Esta Avenida sempre me intrigou na sua complexidade comercial, mas a verdade é que é uma das avenidas mais movimentadas cá da terrinha.
Esta Avenida tem história, desde prédios que caíram depois de construídos, desde os antigos pântanos, desde, que o verde desapareceu para dar lugar ao betão, uma avenida que ás vezes muda de visual com alguns prédios recuperados e com lojas que fecham ao fim de 10 anos de actividade e deixam saudades pela qualidade que possuíram.
Outras deram lugares a mais uma Agência bancária e eu questiono tanto Banco para tão pouco cliente com dinheiro…
E.. descontos a 50% fora de época, será mais uma loja que vai fechar? Será a tal crise de que tanto falam?
Enfim, na minha cidade parece mesmo que só o betão cresce a olhos vistos, uma cidade tão pequenina, apenas com 7 Km quadrados e o meu olhar desliza e só vê… betão e letreiros -Vende-se.
Letreiros que devoram a paisagem, vende-se, descontos, saldos, preferia ver floreiras nos prédios, com cor a quebrar a monotonia do betão, afinal é Primavera, mas a moda é outra. A decoração predominante na minha cidade é Vende-se e eu preferia Verde, árvores e flores.
Esta é a minha cidade de betão que observo, já nem recordo sequer como era o antigo som das sirenes a chamar o povo ao trabalho, as chaminés das fábricas já não largam fumo, algumas até acomodam ninhos de cegonhas. Outras desmoronam orgulhosamente em memória de tempos passados em que havia trabalho para todos..Já nao se fazem chapéus e os sapatos esses vem da China.
Cidade do Labor, era assim apelidada, hoje talvez o nome esteja inapropriado, cidade do betão, sem flor, cidade do desemprego, do vende-se, do desconto e o povo está em saldo!
Tudo fora de época, restam as memorias da cidade que já foi, recordações dos que vão assistindo ao nascimento não de crianças, mas de betão, que assistem à morte das flores e do verde e a Humanidade essa, perdeu-se no som do sino da nossa igreja matriz centenária que hoje já nem se consegue fazer ouvir no seu repicar dos sinos a chamar o Povo à missa.
Porque o Povo do Labor, esse também, já se transformou em betão!
Maria Clara - 30.03.2009

MClara- Convidado
Re: S.João da Madeira - A Minha Cidade
Apesar de o teu texto mostrar uma coisa a que sou muito avesso (olhar desanimado) gostei.
Deve ser porque tem qualidade
Deve ser porque tem qualidade
WiseMax- Membro Activo

- Sexo:
Idade: 64
Emprego/lazer: Dolce farniente
Pontos: 1569
Data de inscrição: 18/01/2009
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