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Como vai o nosso País? 5 5 2

Como vai o nosso País?

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default Como vai o nosso País?

Mensagem por On Line em Qui Fev 26, 2009 11:12 pm

Tem algo a dizer? Então diga, mas deixe de se manter calado!


Última edição por On Line em Dom Mar 14, 2010 7:59 pm, editado 1 vez(es)

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default País em Cinzas

Mensagem por MCIara em Qui Fev 26, 2009 11:29 pm

Sentir com a imaginação, acorrentar a Alma ao pensamento e escrever á velocidade que o vento despenteia os meus cabelos.
Mente inquieta, pensamentos confusos que o poeta tenta ordenar em frases coeerentes, como se tal fosse tarefa facil.
Escrever á velocidade do pensamento quando se vagueia de ideia em ideia á velocidade da luz, do vento, de um cheiro, até de um sonho que se almeja.
Refugiar-se num mundo onde apenas eu, a minha caneta, o meu caderno e deixar vaguear a escrita por folhas virgens. Iniciar uma história, escrevinhar uma crónica, um poema, prosa, talvez dar o começo a algo que até nem se sabe bem o quê.
- Ao longe ouço o murmurio da água de uma fonte artificial criada pelo homem para quebrar a monotomia das grandes cidades, uma mãe que fala com carinho ao seu filho, o sussuro do vento ao passar pelas arvore das magnólias e pessoas.
Pessoas que se deslocam com pressa, pressa de chegar a algum lado, ou a lado nenhum e ainda nem deram por isso.
Á estilo de Fernando Pessoa, saboreio o meu café, observo o espaço que me rodeia, tentando entrar naquele mundo do Poeta, feito de Alma e Imaginação.
Duas jovens passam, sorriem, reparo no riso do seu olhar, trejeitos e geitos de quem partilha as tropelias da folia do Carnaval, porque hoje já não há festa, a vida retoma o seu curso normal, as pessoas voltaram ao seu trabalho diário, aqueles poucos ainda que tem a sorte de dizer e de terem um trabalho á espera numa quarta-feira de Cinzas.
Cinzas que alastram por um País, por uma economia, por uma decadência financeira generalizada, na qual as palavras nada valem e muito menos as promessas, os actos dos nossos governantes passam impunes na gestão dos recursos quer financeiros, quer humanos deste País que depende de tudo, de todos, menos da iniciativa privada do português.
A bem da verdade não consigo mergulhar na imaginação que Fernando Pessoa possuía e muito menos escrever poesia quando hoje ás 14 horas fui à Conservatória do Registo Civil para levantar o meu cartão de cidadã e ordens superiores dizem, não podemos atender mais ninguém, o número de utentes para atendimento está ultrapassado.
Ordens superiores tecnológicas, mas afinal a tecnologia não tem como objectivo a simplificação?
Simples ou complicado, talvez mais complicado, estamos demasiado tecnológicos, dependemos dos sistemas, informático, humano, tecnologico e perdemos tempo, tempo que necessitamos para algo util que faça progredir este país, criar postos de emprego, por exemplo.
Mas pensando melhor até numa crise se pode criar mais postos de trabalho, alargar as ruas e passeios onde se encontram os serviços sociais de centros de emprego e segurança social, para as filas que engrossam diariamente, colocar até uns banquinhos e quem sabe aproveitar para com tantos ajuntamentos diários fazer politica e fazer uns comícios com muitas promessas a incumprir.
Ouço aqui, ouço acolá e agora sim a minha imaginação voa, bateu asas até um Portugal em Cinzas e não me estou a referir aos fogos de 2005, mas Cinzas de um País, em que as pessoas já não conseguem pagar rendas, seguros, adquirir habitação, pagar contas mínimas de água e luz, vejo a criminalidade a aumentar, jovens sem emprego, fábricas a fechar, outras em ameaça de fecho á espera de uns subsidios.
E não é um País em Cinzas?
Ouço aqui, ouço acolá e tenho a noção que se continua a tentar “tapar o sol com a peneira”, com a construção de obras megalómanas desnecessárias relacionadas com a acessibilidade rodoviaria, e Portugal é tão pequenino, atravessa-se de ponta a ponta em 5 horas, ou será que se adivinha a junção da Península ibérica à moda do antigo Tratado de Tordesilhas?
Pergunto eu não será mais importante manter os cuidados de saúde mínimos, os apoios á terceira idade, dar emprego aos mais jovens? Criar futuro?
Ouço aqui, ouço acolá cerca de 20.000 abortos mas afinal quem consegue ter filhos nos tempos de hoje? Não será irresponsabilidade te-los em vez de aborta-los?
Renovo a questão como ser Poeta quando apenas se encontra no dia a dia pessoas com problemas, quando aos 40 anos em Portugal se fica no fim da fila para emprego, onde está a Poesia de em cada 10 amigos 8 estão com problemas?
Não existe Poesia com barriga vazia, contas a pagar, resta a Prosa que sem rima, lá vai fazendo relatos de cinzas, à espera do renascimento da Fénix..

MCIara
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default Re: Como vai o nosso País?

Mensagem por On Line em Dom Mar 14, 2010 7:59 pm

Recordações de um ano...

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default GERAÇÃO "RASCA"

Mensagem por Silva em Seg Mar 29, 2010 11:54 am

Prendeu-me a atenção esta semana mais uma das crónicas do Ricardo Araujo Pereira na revista Visão, decidi transcreve-la para vossa apreciação:

"Acerca da repercussão política de rabos e recibos verdes


Esta pode ser a geração dos 500 euros porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca.







5:42 Quinta-feira, 25 de Mar de 2010


Um dia, num protesto contra a política educativa do Governo, um cidadão da minha idade resolveu avançar com um argumento de autoridade e mostrou o rabo à ministra. Não é, de todo, o pior e mais deselegante argumento que já vi esgrimir (se se pode dizer de um rabo que foi esgrimido) no âmbito de um debate político, mas ainda assim o gesto fez com que aquilo a que se chama "a minha geração" passasse a ser conhecida por "geração rasca". Nunca me queixei. Pelo menos no que me dizia respeito, o título pareceu-me adequado à minha personalidade, e não gosto de censurar ninguém por ser perspicaz. Hoje, a geração que entra no mercado de trabalho é conhecida por "geração dos 500 euros". O que definia a minha geração era o seu carácter; o que define esta é o seu salário. Na verdade, há uma hipótese inquietante: é possível que quem paga a esta geração seja a minha. Esta pode ser a geração dos 500 euros, porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca. Tudo aponta para isso: somos mais velhos do que eles, e portanto é lógico que tenhamos cargos de chefia quando eles saem da escola. E é próprio de um patrão rasca generalizar o pagamento de salários de 500 euros. Sobretudo, é improvável que a "geração rasca" e a "geração dos 500 euros" coincidam: quem é rasca, em princípio arranja sempre maneira de ganhar mais de 500 euros.
Como costuma dizer normalmente quem tem muito dinheiro, o dinheiro não é importante. Sempre me comoveu que as pessoas ricas tivessem a gentileza de partilhar connosco (logo elas, que são tantas vezes avessas a partilhar) uma ideia formada com conhecimento de causa: o dinheiro não traz felicidade. Essa é, no entanto, uma das características que eu mais aprecio no dinheiro: a felicidade é tão fugaz, tão frágil e, às vezes, tão imoral, que acaba por ser higiénico e nobre que o dinheiro não a traga. Para falar com franqueza, não conheço nada que traga felicidade. Mas - chamem-me sentimental - acho que o dinheiro não traz felicidade de uma maneira especial. Vendo bem, a minha geração teve bastante mais sorte do que esta: uma pessoa pode mudar o seu carácter, mas na esmagadora maioria das vezes não pode mudar o seu salário. É bem mais fácil deixar de mostrar o rabo do que passar a ganhar mais de 500 euros. "

Será que nós somos a geração rasca?
Deixo a pergunta no ar!


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default Re: Como vai o nosso País?

Mensagem por Jotace em Ter Mar 30, 2010 4:36 pm

Reparei agora neste tópico (pela mão do Silva), que nunca tinha lido, desde que foi aberto há mais de um ano.
Mesmo tardiamente, felicito o autor (imagino que tenha sido a Maria, mas neste momento já não é esse nome que lá está) pela prosa, e pelo conteúdo.
Ter tempo para parar e pensar, no meio do reboliço da sociedade, da lufa-lufa das horas sempre insuficientes, deixou de ser um privilégio, para passar a ser quase uma maldição. Quase dá vontade de dizer que mais vale não pensar, apenas fazer como o hamster e correr, correr muito, na roda, para ... não ir a lado nenhum. Mas, pelo menos, não se pensa nisso. Nem nisso, nem em nada. Apenas em correr.

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default Re: Como vai o nosso País?

Mensagem por MClara em Qua Mar 31, 2010 10:59 am

Passado um ano porque hoje volta a ser quarta-Feira de Cinzas, releio o que escrevi á um ano atrás e ás cinzas dos incêndios florestais que assolaram o nosso país, junto-lhe as cinzas dos nossos sonhos e projectos.
Cinzas de empresas que abriram falência e criaram desemprego.
Cinzas dos sonhos dos nossos jovens que entretanto tiraram cursos superiores e se encontram no desemprego.
e Portugal está sem dúvida bem cinzento, coberto de cinzas.

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default Re: Como vai o nosso País?

Mensagem por pedrolino em Seg Abr 12, 2010 12:09 am

"Isto não é um país, é um sítio e ainda por cima mal frequentado."

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