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Recordar Zeca Afonso
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Recordar Zeca Afonso
Esta semana senti uma enorme vontade de recordar Zéca Afonso. Que saudades .. "em cada esquina um amigo"..." Em cada rosto Igualdade ", assim cantava Z.A.. Pena é que, não procuramos Igualdade, a Fraternidade, está em desuso, e as Azinheiras estão em Extinção!

MClara- Convidado
Re: Recordar Zeca Afonso
... e em termos de extinção, temos ainda; Os euros, o emprego, os políticos honestos, os padres crentes, o amor desinteressado e os lugares de estacionamento gratuito...

ZéManel- Visitante

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Idade: 57
Emprego/lazer: Parapente
Pontos: 1251
Data de inscrição: 17/01/2009
Re: Recordar Zeca Afonso
O José Afonso (nunca gostei de lhe chamar Zeca, ainda mais porque sempre achei que Zeca era diminutivo de José Carlos, e ele era José Manuel), estranhamente, nunca entrou na minha colecção de discos. Pode parecer espantoso (já estou a ver a Maria de queixo no chão
), para um melómano inveterado como eu, e que gosta tanto de musica portuguesa, mas de facto assim é.
Se existem porquês para isto? Se calhar existem. Já estive muitas vezes com compilações musicais exaustivas dele na mão, daquelas com 2 ou 3 CDs, quase a trazê-las para casa, mas ... acaba por nunca acontecer. E acho que não acontece devido á completa banalização sofrida pelo José Afonso e as suas canções, desde a data da sua morte. Lá está ... é aquele eterno sindrome muito nosso, muito português, de homenagear, re-homenagear, relembrar, citar, reinventar, reeditar, recriar e reinterpretar até á exaustão as figuras que prematuramente nos deixam. No inicio da década de oitenta, na minha juventude, ele não era mais que qualquer outro musico nacional com carreira feita e provas dadas. Agora ... é uma divindade. E como divindade que é, é suposto e fica bem ser venerada. E tanto se venera que se banaliza. E julgo ser este o principal motivo para eu nunca ter sentido a necessidade de pegar no disco ou discos, e ouvir. Nunca chego a ter saudades. Ele ouve-se na rádio, e na TV, e fala-se e cita-se e recria-se em inumeras versões, e ... banaliza-se.
Outro motivo é decerto, e tambem, o facto de ele, para mim, não ser ‘o tal’. Sei que era um grande musico, sei que fez grandes canções (e admito que não conheço muitas, particularmente das menos conhecidas), gosto de o ouvir mas ... não me eriça os pelos dos braços, não me põe a sussurar-lhe, murmulhar-lhe ou cantarolar-lhe as melodias durante um dia inteiro. E fazem-me confusão os processos de endeusamento. E fico a pensar que, se o Fausto, ou o Tordo, ou o Zé Mário Branco, e outros do genero, tivessem tido em ‘sorte’ nos haverem deixado prematuramente, tambem eles seriam deuses, andariam permanentemente nas bocas do mundo, e existiriam todos os seus discos á venda no mercado, e já teriam sido feitas 25 compilações das suas canções, uma em cada aniversário comemorativo da sua partida. Pobre Fausto, já quase esquecido e abandonado por este povo, sendo ele o autor de algumas das mais bonitas canções que já se fizeram em lingua portuguesa. Pobre Tordo, que nem mesmo depois de ter sido condecorado com a Grã cruz da Ordem do ‘Faz-de-conta-que-és-muito-importante-para-nós’ pelo Presidente da Republica, tem direito a ter os seus discos editados no mercado, e, pior ainda, NUNCA, sim, NUNCA, viu ser-lhe editada, nos ultimos 20 ou 30 anos, uma compilação das suas melhores canções, sendo que muitas delas estão eternamente perdidas no passado, no tempo do vinil. Bem sei... estão há espera que morra, pois então. Merda de país este ... e desculpa lá, Maria, que até sei que não alinhas em 'canonizações' postumas de artistas, e perdoa-me José Afonso, que isto não é nada de pessoal contra ti, mas, afinal, parece que foste um felizardo por nos teres deixado tão cedo. Não fora assim, e provavelmente por esta altura... serias apenas mais um dos enjeitados da nação.
Se existem porquês para isto? Se calhar existem. Já estive muitas vezes com compilações musicais exaustivas dele na mão, daquelas com 2 ou 3 CDs, quase a trazê-las para casa, mas ... acaba por nunca acontecer. E acho que não acontece devido á completa banalização sofrida pelo José Afonso e as suas canções, desde a data da sua morte. Lá está ... é aquele eterno sindrome muito nosso, muito português, de homenagear, re-homenagear, relembrar, citar, reinventar, reeditar, recriar e reinterpretar até á exaustão as figuras que prematuramente nos deixam. No inicio da década de oitenta, na minha juventude, ele não era mais que qualquer outro musico nacional com carreira feita e provas dadas. Agora ... é uma divindade. E como divindade que é, é suposto e fica bem ser venerada. E tanto se venera que se banaliza. E julgo ser este o principal motivo para eu nunca ter sentido a necessidade de pegar no disco ou discos, e ouvir. Nunca chego a ter saudades. Ele ouve-se na rádio, e na TV, e fala-se e cita-se e recria-se em inumeras versões, e ... banaliza-se.
Outro motivo é decerto, e tambem, o facto de ele, para mim, não ser ‘o tal’. Sei que era um grande musico, sei que fez grandes canções (e admito que não conheço muitas, particularmente das menos conhecidas), gosto de o ouvir mas ... não me eriça os pelos dos braços, não me põe a sussurar-lhe, murmulhar-lhe ou cantarolar-lhe as melodias durante um dia inteiro. E fazem-me confusão os processos de endeusamento. E fico a pensar que, se o Fausto, ou o Tordo, ou o Zé Mário Branco, e outros do genero, tivessem tido em ‘sorte’ nos haverem deixado prematuramente, tambem eles seriam deuses, andariam permanentemente nas bocas do mundo, e existiriam todos os seus discos á venda no mercado, e já teriam sido feitas 25 compilações das suas canções, uma em cada aniversário comemorativo da sua partida. Pobre Fausto, já quase esquecido e abandonado por este povo, sendo ele o autor de algumas das mais bonitas canções que já se fizeram em lingua portuguesa. Pobre Tordo, que nem mesmo depois de ter sido condecorado com a Grã cruz da Ordem do ‘Faz-de-conta-que-és-muito-importante-para-nós’ pelo Presidente da Republica, tem direito a ter os seus discos editados no mercado, e, pior ainda, NUNCA, sim, NUNCA, viu ser-lhe editada, nos ultimos 20 ou 30 anos, uma compilação das suas melhores canções, sendo que muitas delas estão eternamente perdidas no passado, no tempo do vinil. Bem sei... estão há espera que morra, pois então. Merda de país este ... e desculpa lá, Maria, que até sei que não alinhas em 'canonizações' postumas de artistas, e perdoa-me José Afonso, que isto não é nada de pessoal contra ti, mas, afinal, parece que foste um felizardo por nos teres deixado tão cedo. Não fora assim, e provavelmente por esta altura... serias apenas mais um dos enjeitados da nação.

Jotace- Membro V.I.P.

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Data de inscrição: 25/11/2008
Á Grande .....
Ferino, sincero, objectivo e sempre realista.
pouco tenho a acrescentar, no entanto gostava de referir que muitos amigos meus cantam as músicas do José Afonso com lágrimas nos olhos, num recordar, que se não é o músico, talvez seja a geração sonhadora que todos pertencemos , os "filhos de Abril" e da qual ele foi o baluarte escolhido.
Paz á sua alma
Recordar é viver os que "partiram"
pouco tenho a acrescentar, no entanto gostava de referir que muitos amigos meus cantam as músicas do José Afonso com lágrimas nos olhos, num recordar, que se não é o músico, talvez seja a geração sonhadora que todos pertencemos , os "filhos de Abril" e da qual ele foi o baluarte escolhido.
Paz á sua alma
Recordar é viver os que "partiram"

Publicis- Convidado

Reporter On Line- Membro Efectivo

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Pontos: 1375
Data de inscrição: 25/01/2009
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