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O António partiu...
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O António partiu...
O António partiu.
Foi apenas metade do choque. A outra metade já eu tinha sofrido quando soube da sua doença. Foi apenas surpreendente por ter acontecido já, tão depressa, pois ainda há pouco tempo o tinha visto na TV, com o Bruno Nogueira, a tocar guitarra como se fosse um menino. Bem... na realidade ele sempre foi um menino. Acompanho-lhe a carreira desde muito cedo, tive o prazer de ver cerca de uma dezena de peças dele (“Arte” por duas vezes, “O que diz Molero”, as diversas ‘Conversas da treta”, entre outras cujos titulos já me escapam entre as brumas do tempo), e sempre foi um menino apesar dos cabelos irem mudando de cor, e as rugas ganhando acrescido relevo.
Enfim... havia sempre a esperança de que neste caso pudesse ser diferente, e que um dos mais fatais tipos de cancro pudesse, neste caso, poupar um homem importante para mim, para nós enquanto povo, e para os seus familiares e amigos. Mas o malfadado bicho levou-o, mesmo que o António tudo tenha feito para que o seu bom humor vencesse.
Cada vez que sou esmagado por mais uma fatalidade deste tipo, mais vontade tenho de ser menino, cada vez mais menino, como ele. Fazer o que gosto, procurar ser feliz e fazer feliz quem me rodeia (nem sempre é tão fácil como parece...), brincar com os brinquedos favoritos. Consta que os dele eram os palcos, e os Porsches. Ainda bem que ele quis brincar, e brincou, enquanto pode, e até ao fim, e não esperou por amanhã, porque amanhã ... é sempre tarde e nalguns casos, pode ser longe demais.
O António tinha só mais 12 anos do que eu. Está-me a apetecer ir comprar um Porsche, daqueles a sério, já amanhã, e brincar muito, e celebrar a vida e os brinquedos. Ou um Ferrari, que é mais o meu genero. Há mais de uma década que digo para mim e para os meus amigos, meio na brincadeira meio a sério, que um dia hei-de ter um Ferrari á sério, para brincar. É muito provável que não o vá fazer amanhã, e é até natural que posso vir a nunca o fazer, mas tambem é natural que me sinta estupido por isso. Mas mesmo que não o faça, hei-de encontrar outras formas de ser ainda mais menino do que fui ontem e hoje. O Ferrari é um token, um simbolo do que quero afirmar, não um fim em si. O Porsche idem aspas. Importante é que saibamos brincar hoje, porque sabe-se lá o que nos vai derrubar já amanhã.
É bonito ser-se recordado como o António está a ser, pelos seus colegas e amigos. Não pelo seu poder, não pelo seu dinheiro, não pelo seu sucesso, mas pelo seu talento e humanidade. É o melhor que nos pode ficar, depois de cá deixarmos tudo o resto.
Foi apenas metade do choque. A outra metade já eu tinha sofrido quando soube da sua doença. Foi apenas surpreendente por ter acontecido já, tão depressa, pois ainda há pouco tempo o tinha visto na TV, com o Bruno Nogueira, a tocar guitarra como se fosse um menino. Bem... na realidade ele sempre foi um menino. Acompanho-lhe a carreira desde muito cedo, tive o prazer de ver cerca de uma dezena de peças dele (“Arte” por duas vezes, “O que diz Molero”, as diversas ‘Conversas da treta”, entre outras cujos titulos já me escapam entre as brumas do tempo), e sempre foi um menino apesar dos cabelos irem mudando de cor, e as rugas ganhando acrescido relevo.
Enfim... havia sempre a esperança de que neste caso pudesse ser diferente, e que um dos mais fatais tipos de cancro pudesse, neste caso, poupar um homem importante para mim, para nós enquanto povo, e para os seus familiares e amigos. Mas o malfadado bicho levou-o, mesmo que o António tudo tenha feito para que o seu bom humor vencesse.
Cada vez que sou esmagado por mais uma fatalidade deste tipo, mais vontade tenho de ser menino, cada vez mais menino, como ele. Fazer o que gosto, procurar ser feliz e fazer feliz quem me rodeia (nem sempre é tão fácil como parece...), brincar com os brinquedos favoritos. Consta que os dele eram os palcos, e os Porsches. Ainda bem que ele quis brincar, e brincou, enquanto pode, e até ao fim, e não esperou por amanhã, porque amanhã ... é sempre tarde e nalguns casos, pode ser longe demais.
O António tinha só mais 12 anos do que eu. Está-me a apetecer ir comprar um Porsche, daqueles a sério, já amanhã, e brincar muito, e celebrar a vida e os brinquedos. Ou um Ferrari, que é mais o meu genero. Há mais de uma década que digo para mim e para os meus amigos, meio na brincadeira meio a sério, que um dia hei-de ter um Ferrari á sério, para brincar. É muito provável que não o vá fazer amanhã, e é até natural que posso vir a nunca o fazer, mas tambem é natural que me sinta estupido por isso. Mas mesmo que não o faça, hei-de encontrar outras formas de ser ainda mais menino do que fui ontem e hoje. O Ferrari é um token, um simbolo do que quero afirmar, não um fim em si. O Porsche idem aspas. Importante é que saibamos brincar hoje, porque sabe-se lá o que nos vai derrubar já amanhã.
É bonito ser-se recordado como o António está a ser, pelos seus colegas e amigos. Não pelo seu poder, não pelo seu dinheiro, não pelo seu sucesso, mas pelo seu talento e humanidade. É o melhor que nos pode ficar, depois de cá deixarmos tudo o resto.

Jotace- Membro V.I.P.

- Sexo:
Idade: 44
Pontos: 2085
Data de inscrição: 25/11/2008
Re: O António partiu...
Pois é... Mais uma perda, ficam as recordações.
Sempre nos deparamos sempre com espanto perante o facto mais natural da Vida que é a Morte, seja de que forma ela nos leve os entes queridos ou apreciados.
Mas é a maior certeza que temos, é a tal Morte que nos leva a todos um por um.
Aliás a Vida é tão breve sempre que deviamos tentar apreciar e valorizar mais o que temos e quando está nas nossas mãos usufruir. No entanto não o fazemos e o Material da Vida assume propoções esmagadoras da nossa atenção .
António Feio por estranho que possa parecer nao o lembro das conversas da treta, mas sim de testemunhos de vida que ele foi dando de forma séria e simplicidade.
Que descanse em Paz, porque por fim acabou o Sofrimento, a dor, para nós resta a Saudade
Sempre nos deparamos sempre com espanto perante o facto mais natural da Vida que é a Morte, seja de que forma ela nos leve os entes queridos ou apreciados.
Mas é a maior certeza que temos, é a tal Morte que nos leva a todos um por um.
Aliás a Vida é tão breve sempre que deviamos tentar apreciar e valorizar mais o que temos e quando está nas nossas mãos usufruir. No entanto não o fazemos e o Material da Vida assume propoções esmagadoras da nossa atenção .
António Feio por estranho que possa parecer nao o lembro das conversas da treta, mas sim de testemunhos de vida que ele foi dando de forma séria e simplicidade.
Que descanse em Paz, porque por fim acabou o Sofrimento, a dor, para nós resta a Saudade

MClara- Admin
- Sexo:
Idade: 47
Emprego/lazer: Varios
Pontos: 1310
Data de inscrição: 16/03/2010
Re: O António partiu...
Raul Solnado... Saramago... e agora António Feio! Ninguém cá fica - é certo. Mas fica a memória de grandes personalidades para a cultura portuguesa. Valha-nos isso.
Paz à(s) sua(s) alma(s).
Paz à(s) sua(s) alma(s).
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