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Ao sabor do pensamento em Qua Jul 21, 2010 12:33 am
LINO MENDES
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O valor da palavra
Um dos quadros que mais marcou a minha mente de criança, foi o de Egas Moniz e família, de branco vestidos e corda ao pescoço se entregar ,salvo erro a Castela ,por Afonso Henriques de que era tutor, ter faltado à palavra em seu nome por ele assumida.
Não sei se ainda hoje esta história é contada nas nossas escolas, o certo é que estamos longe dos tempos em que “ a palavra valia uma assinatura”,em que “ um aperto de mão selava um compromisso”.E é de facto frustrante como hoje cada um( e em grande número) é mais certo naquilo que faz do que naquilo que diz—“acredita naquilo que eu faço e não naquilo que digo “. Não há sentido de responsabilidade, o que é grave e não se resolve de um dia para o outro, já que se trata de uma questão de mentalidade, que não se decreta antes se constrói.
Esta falta de sentido de responsabilidades é hoje um vírus que marca a nossa vida sócio-cultural. Realmente assumi um compromisso, ouve-se dizer ,mas nessa altura não sabia que era convidado para o casamento ,ou que o jogo de futebol era nessa data. Claro que se pode estar em cima de um exame, e aqui é incontestável a razão da falta. Isto, quando não são os pais que castigam os filhos proibindo-os , dizem, de fazer aquilo que eles mais gostam.
Não se tem, pois em conta, que o grupo de folclore, ou a banda de música, ,ou o grupo de teatro para em mais não falar ,assumiu um compromisso confiando nos componentes e depois de os ouvir. Será que eu posso faltar porque…aqui é já uma posição correcta. E não só está em jogo a qualidade da representação—basta uma má actuação para colocar em cheque o trabalho de anos—como ainda o perigo de ter que se faltar o que pode, inclusivamente, levar o caso a tribunal além de ser desprestigiante.
Estás disponível para o dia tal? Se não aparecer nada, pode contar comigo .Ou então, não ganho aqui a minha vida---como se a palavra dada tivesse alguma coisa a ver com o valor de um compromisso assumido.
No fundo são afinal sinais de evolução dos tempos ,que sabemos não conseguir no imediato ultrapassar ,mas que devem a todos nós, especialmente a quem tem responsabilidades no campo da educação—pais, professores e educadores—merecer reflexão. reflexão.
E lembremo-nos da máxima de Pitágoras: “Educai as crianças que não será preciso depois castigar os homens”.
LINO MENDES










