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Um Conto
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Um Conto
Zacarias, um cão lavrador, de olhar vivaz, pêlo preto sedoso, era a companhia diária dos pássaros, ovelhas e cabras lá da Quinta.
Devido a sua estatura quando o soltávamos destruía os jardins e as sementeiras, por tal motivo, passava imenso tempo confinado à sua casota.
Sempre gostei do Zacarias, tinha mesmo focinho e jeito de Zacarias e mal nasceu, Zacarias ficou de nome. Afinal não era cão que se colocasse daqueles nomes meio efeminados tipo Fifi, Tóto, ou algo similar.
Zacarias tinha a sua personalidade própria bem firmada e exigia um nome forte e doce.
- Passávamos muito tempo ausentes por motivos profissionais e tirando a visita diária dos caseiros que o alimentavam, a companhia dos pássaros que Zacarias em grandes pulos tentava abocanhar, os latidos aos gatos vadios, durante o dia e noite, Zacarias era um solitário.
Um solitário enorme, lindo de observar na sua vivacidade, mas à distancia…
Nunca resisti a afagar o Zacarias, ele aproximava-se e logo aos pulos com toda a sua enorme estatura pedia brincadeira e mimos.
A roupa rasgava-se, era terra e marcas de patas sem fim, arranhões e tinha que sair direitinha da beira do Zacarias para um bom banho.
Com o tempo comecei a entender o Zacarias, ( como se alguém pudesse entender a forma de ser de um simples cão), o porquê de ninguém brincar com ele.
Ele passava demasiado tempo sozinho e preso, quando tinha alguém que lhe dava atenção e pretendia brincar com ele, ou lhe dava um pouco de brincadeira por pena dele, na sua ânsia de viver derrubava tudo e todos, não por maldade, mas sim por carência de querer atenção.
Ninguém brincava com o Zacarias, mantinham uma distância segura, faziam festitas ao longe, atiravam algo para ele roer, chamavam por ele, mas aproximarem-se mais do que a distância do cadeado que o prendia e brincar com ele nem pensar.
Quem quereria acabar no chão sujo, mesmo que se divertisse a brincar com o Zacarias!
Fizeram a primeira vez e aprenderam com os resultados obtidos.
Na sua solidão, Zacarias com os raros 5 minutos de atenção que lhe davam, ficava louco de alegria e contentamento e acabava, por ao querer agradar, atenção e brincar, magoar e sufocar, os que lhe queriam dar mimos.
Passou a ser evitado à medida que ia crescendo cada dia mais, devido à sua raça e aos seus quase 80 quilos.
Zacarias foi envelhecendo e ficando cada vez mais triste, eu notava no seu olhar que outrora tinha sido vivaz e alegre.
Com o tempo éramos nós que nos aproximávamos do Zacarias, fazendo festinhas e agrados e qual o meu espanto, aquela alegria foi-se transformando em mordidelas a quem o queria afagar.
Passava pelas carícias no seu pêlo sedoso, que antes o faziam pular de contentamento e rebolar a um desprezo ou indiferença evidentes, que salvo algumas excepções, agora apenas o faziam arrebitar uma orelha, abrir um olho ou abanar ligeiramente o rabo em jeito de reconhecimento, a uma mordidela rápida que ninguém esperava, resultado talvez do desprezo a que foi devotado ao longo dos anos.
Nunca me importei de ficar suja a brincar com o Zacarias, relembro com extremo humor toda aquela espontaneidade dele, a sua carência de afectividade humana, entendo que ele só era assim, porque não tinha atenção e reagia quando lhe davam, pecando por excesso na sua felicidade de ter 5 minutos do tempo de alguém.
Talvez o que eu não entenda é como um simples cão lavrador chamado Zacarias perdeu a vontade de brincar e aceitar afagos e começou a responder com mordidelas, dispensando os mimos. Vivendo no seu próprio Mundo canino ou não, mas extremamente parecido com o Humano.
Autora : Maria-Dez-15-2008
Devido a sua estatura quando o soltávamos destruía os jardins e as sementeiras, por tal motivo, passava imenso tempo confinado à sua casota.
Sempre gostei do Zacarias, tinha mesmo focinho e jeito de Zacarias e mal nasceu, Zacarias ficou de nome. Afinal não era cão que se colocasse daqueles nomes meio efeminados tipo Fifi, Tóto, ou algo similar.
Zacarias tinha a sua personalidade própria bem firmada e exigia um nome forte e doce.
- Passávamos muito tempo ausentes por motivos profissionais e tirando a visita diária dos caseiros que o alimentavam, a companhia dos pássaros que Zacarias em grandes pulos tentava abocanhar, os latidos aos gatos vadios, durante o dia e noite, Zacarias era um solitário.
Um solitário enorme, lindo de observar na sua vivacidade, mas à distancia…
Nunca resisti a afagar o Zacarias, ele aproximava-se e logo aos pulos com toda a sua enorme estatura pedia brincadeira e mimos.
A roupa rasgava-se, era terra e marcas de patas sem fim, arranhões e tinha que sair direitinha da beira do Zacarias para um bom banho.
Com o tempo comecei a entender o Zacarias, ( como se alguém pudesse entender a forma de ser de um simples cão), o porquê de ninguém brincar com ele.
Ele passava demasiado tempo sozinho e preso, quando tinha alguém que lhe dava atenção e pretendia brincar com ele, ou lhe dava um pouco de brincadeira por pena dele, na sua ânsia de viver derrubava tudo e todos, não por maldade, mas sim por carência de querer atenção.
Ninguém brincava com o Zacarias, mantinham uma distância segura, faziam festitas ao longe, atiravam algo para ele roer, chamavam por ele, mas aproximarem-se mais do que a distância do cadeado que o prendia e brincar com ele nem pensar.
Quem quereria acabar no chão sujo, mesmo que se divertisse a brincar com o Zacarias!
Fizeram a primeira vez e aprenderam com os resultados obtidos.
Na sua solidão, Zacarias com os raros 5 minutos de atenção que lhe davam, ficava louco de alegria e contentamento e acabava, por ao querer agradar, atenção e brincar, magoar e sufocar, os que lhe queriam dar mimos.
Passou a ser evitado à medida que ia crescendo cada dia mais, devido à sua raça e aos seus quase 80 quilos.
Zacarias foi envelhecendo e ficando cada vez mais triste, eu notava no seu olhar que outrora tinha sido vivaz e alegre.
Com o tempo éramos nós que nos aproximávamos do Zacarias, fazendo festinhas e agrados e qual o meu espanto, aquela alegria foi-se transformando em mordidelas a quem o queria afagar.
Passava pelas carícias no seu pêlo sedoso, que antes o faziam pular de contentamento e rebolar a um desprezo ou indiferença evidentes, que salvo algumas excepções, agora apenas o faziam arrebitar uma orelha, abrir um olho ou abanar ligeiramente o rabo em jeito de reconhecimento, a uma mordidela rápida que ninguém esperava, resultado talvez do desprezo a que foi devotado ao longo dos anos.
Nunca me importei de ficar suja a brincar com o Zacarias, relembro com extremo humor toda aquela espontaneidade dele, a sua carência de afectividade humana, entendo que ele só era assim, porque não tinha atenção e reagia quando lhe davam, pecando por excesso na sua felicidade de ter 5 minutos do tempo de alguém.
Talvez o que eu não entenda é como um simples cão lavrador chamado Zacarias perdeu a vontade de brincar e aceitar afagos e começou a responder com mordidelas, dispensando os mimos. Vivendo no seu próprio Mundo canino ou não, mas extremamente parecido com o Humano.
Autora : Maria-Dez-15-2008

MClara- Convidado
Re: Um Conto
Creio que conheço esse Zacarias 

Cibernauta- Membro Efectivo

- Sexo:
Idade: 32
Emprego/lazer: Cibernauta
Pontos: 1471
Data de inscrição: 19/12/2008
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