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Miguel Braga... and some friends em Qua Set 09, 2009 11:39 pm
Pacencia
Visitante

Meia dúzia de ouvintes interessados numa segunda noite da semana, para acompanhar Miguel Braga, seu piano e suas divagações.
Entra ele a cumprimentar toda a gente, bem disposto, fala com este e com aquele, e vem falar connosco. Apresenta-se. Apresentamo-nos.
Uma personagem leve que passou pelo mundo da música desde sempre - Quarenta? Cinquenta anos de música? - Engenheiro de formação (não sei de quê, nunca exerceu). Despegado de um passado brilhante onde tocou com músicos como Paulo de Carvalho, Fernando Girão, Lara Li, aliás que de vez enquando ainda se encontram, assim como Diana Gomes, o Paco Bandeira, o Ivan Lins, enfim um rol de bons músicos portugueses e e não só que partilharam o palco com o Miguel, quer agora desfrutar da vida com toda a calma, sem stress, planos a surgirem e a desenvolverem-se naturalmente, como algo que acontecerão se tiver de acontecer.
Simples e despretensioso fala disso com o mesmo prazer que tem em partilhar boa música. E boa música foi o que nos deu nessa terça à noite no B-Flat em Leça da Palmeira, no cais de embarque de passageiros, onde é uma presença mais ou menos constante nestes tempos à terça-feira.
Aliás, escolheu a terça por ser isso mesmo: uma noite calma para descontrair e ouvir a sua música.
E lá se sentou ao piano. Presenteou-nos com música dele, umas versões de músicas de outros, portugueses e estrangeiros. E assim passamos os primeiros momentos. Atentos, sem querer, porque aquela música nos aconchegou a ela sem darmos conta.
Após um pequeno intervalo e dois dedos de conversa com este pianista de mão cheia, eis que chega um amigo de sempre: O Rui «Cenourinha» Ferraz como é conhecido entre os amigos.
Já o conhecia de outros «encontros jazzisticos» mas fiquei de novo surpreendido quando começaram a imiscuir as sonoridades do piano com a precursão.
Aí, minha cara abriu-se num sorriso, incapaz de desfazer-se.
Aquela simbiose por um lado, tocar ao desafio por outro, ou o simples acompanhar a melodia tornou a noite de terça numa doçura poucas vezes encontradas a meio de uma semana de trabalho. Músicas suas, velhos temas da música portuguesa que trauteávamos sem dar por isso, música do mundo e de todos nós , tudo fez parte do repertório.
A cerveja preta, aquele bar bem situado e com um ambiente que o torna único, mais único ficou com aquele som envolvente daqueles dois cúmplices de longa data para quem a música não tem cantos escuros e estão na maior das à-vontades naquelas notas.
A companhia de dois amigos meus só elevou o nível pelo prazer de partilhar estes momentos de boa música. Sem eles a noite não seria completa.
A noite acabou, infelizmente e felizmente, com dois dedos de conversa com os músicos, numa troca de impressões. Infelizmente porque fica sempre uma sensação do quero mais e felizmente porque fiquei mais feliz por ter conhecido o Miguel Braga e o Rui Ferraz e... ter presenciado aquela noite.
As terças à noite no B-Flat estão uma delícia
António Pereira



















